Quando você sente que está atrasada na própria vida

 


Tem uma fase da vida em que a gente começa a se perguntar se está atrasada… ou só vivendo uma vida diferente do que esperavam da gente.

Eu não sei você, mas às vezes sinto que tem tanta coisa acontecendo por dentro. Principalmente nessa fase da vida adulta, sendo uma mulher imigrante, solteira, tentando encontrar seu lugar no mundo e entender muitas coisas ao mesmo tempo.

Tem dias em que parece que aprendo muito. E tem dias em que sinto que ainda tenho tanto a aprender.

Mas acho que isso faz parte de viver, de existir, certo?

Tenho refletido muito sobre a fase em que estou hoje. Uma fase em que muitos já esperavam, e até eu mesma esperava, que eu tivesse uma vida familiar estabelecida, estivesse casada, com filhos, profissionalmente estável, vivendo aquele roteiro que aprendemos a esperar da vida.

Mas, bem… esse roteiro perfeitinho não foi a minha realidade.

E durante muito tempo isso me fez fazer perguntas difíceis.

O que há de errado comigo?

Por que a minha realidade é tão diferente da de tantas outras mulheres da minha idade? Onde foi que eu errei? Foi alguma decisão do passado? Alguma crença tão fortemente implantada em mim que me fez enxergar as coisas de determinada maneira?

Qual a razão? Qual o motivo?

Foi uma falha minha ou estou simplesmente vivendo a vida que me coube viver?

Quando os outros parecem saber o que é melhor para você

Ao longo dos anos, ouvi muitas frases sobre casamento e sobre como uma mulher deveria conduzir essa parte da vida.

“E então, já está na hora de casar, né?”

“Quem muito escolhe será escolhida.”

E eu pensava: ué, mas eu não tenho que escolher bem?

Aliás, não tenho que escolher também?

Porque acredito, sim, que uma relação é uma escolha de ambas as partes.

Já ouvi até:

“Faça como eu fiz. Ore a Deus e peça a Ele um marido. Olha como Deus me abençoou com o meu.”

Depois de ouvir coisas assim tantas vezes, confesso que cheguei a ficar triste.

Eu pensava: então Deus não ouviu a minha oração? Ele tem seus preferidos? Por que parece que ouve as orações de alguns e de outros não? Será que não me acha merecedora de tamanha bênção?

Hoje, aos 48 anos, encontrei a resposta para todas essas perguntas?

Não.

E talvez nunca encontre.

Talvez eu não precise mais encontrar uma explicação

Para falar a verdade, cansei de tentar encontrar os porquês da minha solteirice.

Cansei também de tentar explicar às pessoas que, se for para eu ter uma vida a dois, quero que seja com alguém compatível comigo.

Não espero alguém perfeito e, na verdade, nunca esperei.

Mas cheguei à conclusão de que é muito mais saudável estar sozinha do que viver um casamento frustrado apenas para poder dizer que segui o roteiro e estabeleci uma família.

Recentemente, ouvi de uma pessoa bem próxima uma frase que me marcou:

“É… o seu tempo já passou. Já era.”

Naquele momento, confesso que fiquei um tanto abalada.

Por alguns instantes, foi como se eu tivesse um prazo de validade e ele estivesse prestes a vencer.

Mas digeri aquilo.

E segui em frente com a minha vida.

Sabe por quê?

Porque posso ainda ter muito a aprender nesta vida, mas uma coisa eu já aprendi a colocar em prática: as escolhas da minha vida sempre foram e continuarão sendo minhas.

Não são frases de terceiros que vão determinar quem eu sou ou o que ainda posso ser.

Afinal, estou atrasada?

Nem tudo na nossa vida depende de nós. Existem fatores externos que influenciam muito o decorrer das nossas histórias.

Mas, naquilo que depende de mim, quero continuar escolhendo.

Talvez alguns capítulos da minha vida não sejam interessantes para algumas pessoas. Talvez não correspondam ao que esperavam que uma mulher da minha idade estivesse vivendo.

Tudo bem.

Minha vida não seguiu o roteiro que imaginei.

E hoje já não sei se isso significa que estou atrasada ou simplesmente que estou vivendo uma história diferente.

Ainda tenho muito a aprender, muitos lugares para conhecer, experiências para viver e capítulos que nem comecei a escrever.

E talvez eu nunca tenha todas as respostas.

E assim vai.


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